Manaus

“Ele me puxa pra ir pra casa, não tem mais casa”, diz mãe desabrigada com três filhos

Incêndio no São Jorge destrói 30 casas e deixa 60 famílias atingidas; mãe tenta explicar perda ao filho autista em Manaus
“Ele me puxa pra ir pra casa, não tem mais casa”
Crianças observam da janela os destroços deixados pelo incêndio no bairro São Jorge, em Manaus /Foto: Nilton Ricardo/ A Crítica

“Meu filho estava acostumado com a rotina; agora ele me puxa pra ir pra casa e eu mostro que tá tudo queimado, não tem mais casa”

Um dia depois de perder tudo no incêndio do São Jorge, Gerlane da Silva, dona de casa, tenta explicar para o filho que eles não possuem mais lar. A criança tem dois anos, é autista e ainda não percebeu a gravidade da situação. O local onde moravam foi transformado em carvão e metal retorcido. Segundo Silva, tudo aconteceu muito rápido, ela estava dormindo quando as chamas se espalharam pelas casas de madeira. Gerlane da Silva perdeu a casa onde vivia há 15 anos e agora tenta recomeçar com os três filhos

Gerlane da Silva perdeu a casa onde vivia há 15 anos e agora tenta recomeçar com os três filhos“A minha cunhada bateu na porta e eu escutei o cachorro latir. Levantei, estava acontecendo alguma coisa. Quando olhei, o fogo estava muito alto, faltava umas duas casas para chegar na minha, só deu tempo de pegar meus filhos e sair com eles”, disse Gerlane.Área atingida pelo incêndio no São Jorge ficou destruída, com casas reduzidas a cinzas e estruturas retorcidas

Área atingida pelo incêndio no São Jorge ficou destruída, com casas reduzidas a cinzas e estruturas retorcidas

Da casa onde morava com três filhos há 15 anos, só conseguiu salvar alguns documentos. Roupas, eletrodomésticos, móveis; todo o resulto queimou. Gerlane e as crianças estão abrigadas na casa da mãe, onde o fogo danificou parte do pátio, mas não avançou para dentro da residência. Agora ela pede ajuda para se reerguer. Aceita doação de materiais de higiene, roupas, alimentos ou valores. O contado dela – que também é chave pix – é o (92) 98240-8879. 

Sobe o número de famílias atingidas 

A Defesa Civil do município disse que a quantidade de famílias atingidas pelo incêndio no bairro São Jorge subiu para 60, o equivalente ao total de 200 pessoas. As vítimas são cadastradas pelos programas de auxílio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc). Até o fim da manhã desta segunda-feira foram entregues kits com itens de higiene, cestas básicas e colchões. 

O secretário-executivo da pasta, Lima Júnior, disse que a igreja evangélica Família Colmeia funciona como ponto de apoio para quem ainda está desabrigado. Atualmente, 10 famílias estão no local recebendo atendimentos e fazendo a concentração logística para irem até a casa de familiares, por exemplo. Secretário-executivo, Lima Júnior realiza junto a equipe o levantamento e presta assistência às famílias atingidas pelo incêndio

Secretário-executivo, Lima Júnior realiza junto a equipe o levantamento e presta assistência às famílias atingidas pelo incêndio“A igreja fica próximo ao local do incêndio, aqui na avenida São Jorge. La está tendo apoio alimentar com a própria cozinha do local”, disse o secretário.

Monitoramento para evitar reocupação

O comandante geral do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, disse que durante a atuação principal dos 52 agentes, no domingo, 15 viaturas foram usadas. Nesta segunda, a visita de um número menor de bombeiros foi para confirmar que não há mais possibilidade de um novo incêndio no local. “Todo o trabalho de resposta foi dado ontem, agora a recuperação cabe à Defesa Civil do Município”, explicou.  Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas atuaram no combate às chamas que atingiram dezenas de casas

Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas atuaram no combate às chamas que atingiram dezenas de casas

O local onde o incêndio destruiu 30 casas de madeira é reconhecido pela prefeitura de Manaus como uma área de risco de desastres, fica ao lado do igarapé do bairro. Segundo a Defesa Civil, passado o momento de atendimento às famílias, um monitoramento será desencadeado para evitar que novas casas sejam construídas na área.

Por: Lucas Motta

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