Política

Wilson Lima vira incógnita e atrasa jogo político no Amazonas

Cresce pressão no União Brasil para que governador defina seu futuro nas urnas.
Wilson Lima vira incógnita e atrasa jogo político
Foto: Alex Pazuello/Secom

A falta de fôlego do governador Wilson Lima nas pesquisas internas para a corrida ao Senado tem desanimado parte da cúpula do União Brasil. No partido há uma clara divisão, que reverbera também no grupo do governador, e que pode levá-lo a desistir de disputar uma cadeira no Senado. Integrantes da cúpula da sigla defendem que Lima fique no cargo até o fim do mandato e apoie um dos candidatos ao governo. A construção se dá em torno de Omar Aziz, capitaneada pelo prefeito de Manaus, David Almeida, mas ainda não há uma definição clara, já que ele próprio poderia ainda tentar um voo solo. Uma ala do União Brasil, no entanto, tem pensado em um plano B para que Lima não fique sem mandato: disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. A hipótese não o agradaria, mas seria uma forma de fortalecer a bancada do partido no Congresso. Wilson Lima ainda não decidiu, e interlocutores defendem que a posição seja oficializada só no ano que vem, quando o cenário político do Amazonas estiver mais estabilizado.

NAMORO

Em meio à indefinição que cerca Wilson Lima, os elogios públicos que o governador tem recebido do presidente do PL no Amazonas, Alfredo Nascimento, não são mero acaso. Ele chegou a dizer que “há muito tempo não se via um governador do Amazonas que gostasse de gente”, envaidecendo o chefe do Executivo. A bajulação vem de uma orientação expressa da cúpula do PL em Brasília, de olho na “amizade” com a federação formada entre União Brasil e PP, detentor do maior número de cadeiras no Congresso Nacional. Se, de um lado o PL beija a mão de Wilson Lima, de outro, o próprio governador está de olho na base bolsonarista para uma eventual disputa ao Senado. Vale lembrar que Lima e o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém uma relação próxima já de algum tempo. Em abril, por exemplo, os dois dividiram palanque em um ato a favor da anistia dos investigados pelos ataques de 8 de janeiro. Já na ocasião, um aceno de Wilson Lima aos bolsonaristas.

SEM PESTANEJAR

Quem também não deixa de olhar para Wilson Lima é o presidente do PT, deputado estadual Sinésio Campos, reeleito pela terceira vez para o comando da sigla no Amazonas. Cauteloso, até por ordem do diretório nacional do partido, Sinésio já sabe que o candidato de Lula para o governo é Omar Aziz, assim como também sabe que Marcelo Ramos tem o apreço do presidente da República para disputar uma cadeira no Senado, e que Eduardo Braga tem caminho pavimentado junto ao Planalto. Mesmo assim, não descarta uma eventual aliança com Wilson Lima, dizendo nos bastidores que a política muda como as nuvens no céu.

CAMPEÃO DE EMENDAS

O governo federal já empenhou R$ 5,1 bilhões em emendas parlamentares só neste ano, segundo dados do Ministério do Planejamento. Pasmem os amazonenses, o campeão da lista de recebidos é ninguém menos que o senador Eduardo Braga. O líder do MDB aparece na primeira posição do ranking, com R$ 58 milhões empenhados em emendas de sua autoria. É bom lembrar, Braga é o relator do segundo projeto enviado pelo Governo ao Congresso para regulamentar a reforma tributária.

RANKING AMAZONENSE

Não é só Eduardo Braga que figura no topo da lista das emendas. O colega de bancada, Omar Aziz, ocupa a terceira posição do ranking, com R$ 39,2 milhões de reais recebidos. Ainda entre os dez mais, na oitava posição figura o Deputado Saullo Vianna, do União Brasil, que levou para o Amazonas R$ 31,8 milhões de reais.

PALANQUE

Escolhido para presidir a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que vai investigar as fraudes no INSS, o senador Omar Aziz tem afirmado que a comissão não vai se tornar palanque político para defender ou perseguir quem quer que seja, como ocorreu na CPI da Covid, que foi usada pela oposição para desgastar o governo do então presidente Jair Bolsonaro. Mais que isso, a comissão também projetou o nome de Aziz em todo o Brasil naquele momento. No Senado, se diz que o palanque vai ser para o próprio senador, que vai usar a imagem de linha dura para atrair simpatizantes e turbinar a campanha para o governo do Amazonas.

OMAR X AGU

Integrantes da Advocacia-Geral da União ficaram incomodados com a cobrança de Omar Aziz sobre um recurso contra a decisão da Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que suspendeu a licença prévia para asfaltamento do trecho do meio da BR-319. Omar falou na tribuna que a AGU deveria agir imediatamente para não permitir a ingerência do TRF. E criticou duramente a decisão, afirmando que boa parte do judiciário é formada por pessoas que atrapalham o desenvolvimento da região. A AGU já havia definido que aguardaria a publicação do acórdão para decidir sobre a medida cabível. Internamente, o que se diz é que Omar quer fazer ensinar o “vigário a rezar” e ganhar palco com o tema.

INÉRCIA

Para o Planalto, pegou mal a chamada “inércia” de alguns parlamentares da bancada amazonense depois do anúncio do aumento de 50% nas taxas de importação aplicadas ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A maior parte dos deputados e senadores do Amazonas ficou em silêncio, mesmo com possíveis impactos sobre a Zona Franca de Manaus. Fora do ringue formado pelas farpadas entre o Capitão Alberto Neto, com críticas ao presidente Lula, e a resposta atravessada de Marcelo Ramos, a fala mais expressiva foi do senador Eduardo Braga, que pediu diplomacia, mas afirmou em sua rede social que “é hora de defender a soberania do Brasil com firmeza e respeito aos laços históricos com os EUA”. Entre o primeiro escalão do Governo, o burburinho é que faltou uma defesa mais ampla e enfatiza de aliados, principalmente de Omar Aziz, que goza da confiança e do apoio de Lula. O governo também joga que não é possível ainda afirmar que a Zona Franca de Manaus não vai sofrer perdas. Aliás, este é o mote de defesa para o Planalto. “A hora é de uma ampla frente de defesa”, diz um ministro de Lula sob anonimato.

Por: Redação

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