O deputado federal Amom Mandel (Cidadania) tentou um lance arriscado no finalzinho de 2023 e insinuou que desistia de sua candidatura à Prefeitura de Manaus.
Imediatamente, lançou dúvida sobre essa insinuação, que todos sabem é um talvez, um jogo de sim e não, jamais de sim ou não; sob qualquer interpretação, um risco.
D. Pedro I, pressionado pela Corte de Portugal disse, ou melhor, mandou dizer ao povo brasileiro das redondezas: “Digam ao povo que fico”. E ficou.
O Brasil pagou a dívida de Portugal com a Inglaterra e ficou “independente”.
Mais tarde, como costume na política brasileira, Pedro mudou de opinião e foi para Portugal. Mas isso é um cenário grande demais para a política de baixa extração de Manaus, onde mudar de opinião é mais comum do que mudar de cueca.
O sim e não de Mandel lembra outra situação da cultura política brasileira. O impagável presidente da República Jânio Quadros, que renunciou ao cargo, com a esperança de que o povo brasileiro das redondezas lhe pedisse – senão, implorassem – que voltasse e ficasse, não para presidir o país, mas reinar ao som do mar, à luz do céu profundo.
Não havia povo bastante nas redondezas de Jânio Quadros, mas ele não sumiu: deixou um estrago que até hoje os povos brasileiros não sabem como administrar.
Quem dirá a Amom Mandel que fique pré-pré-candidato à Prefeitura de Manaus?
Os numerosos partidos ainda sequer alinharam os seus interesses para definir quem será o seu pré.
Mas a (in)desistência de Amom conseguiu, sim, ser notada até por cidadãos cujo maior interesse era ganhar a Mega Sena da Virada. Na seara dos analistas políticos, principalmente.
E entre aqueles que já se adiantaram a ser pré-pré-candidatos e sonham “herdar” os poucos mais de 20% da preferência que o (in)desistente mantém nas pesquisas: o Prêmio Prefeitura de Manaus é uma virada muito maior que o da Mega Sena; mais de R$9 bilhões para este ano, com direito a valores aditivos de empréstimos de quase (ou mais) R$1 bi. Dinheiro nunca é demais… as necessidades é que são insaciáveis.
“Se foi uma jogada de marketing político, não foi bem compreendida pelo eleitorado”, disse ao RT1, o sociólogo Carlos Santiago, lembrando que “que no início de ano eleitoral, os pré-candidatos buscam reafirmar seus nomes e qualidades, apontando que querem disputar um cargo eletivo”. Para Santiago “a posição do Amom Mandel, exposta no vídeo do final de ano, é totalmente fora dos padrões de quem quer disputar uma eleição pra valer”.
O professor da Universidade Federal do Amazonas, antropólogo Ademir Ramos, “apesar de desconhecer o contexto de tal de declaração [de Amom]”, considera, “no entanto que a fala está conectada com o futuro político do deputado Amom, que sem se lançar candidato de si mesmo, é o cabeça da oposição a fazer frente ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante)”. Ramos refere que a fala de Amom Mandel “finaliza com um grande apelo ao seu eleitorado: quero te pedir para colocar aqui sua sugestão, opinião ou dúvida sobre o nosso futuro político´
Depois de uma Mega Sena da Virada frustrada, quem dirá a Amon Mandel que fique?



