Manaus

Oposição cobra CPI e suspeita de esquema de corrupção na Saúde do AM

Parlamentares afirmam que acusações confirmam suspeitas antigas e criticam omissão do governo Wilson Lima diante da gravidade das denúncias.
Oposição cobra CPI e suspeita de esquema de corrupção na Saúde do AM
Foto: Divulgação/Secom

 As graves acusações de corrupção feitas pelo ex-gerente de Hospitais e Fundações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Michael Pinto Lemos, provocaram forte repercussão política na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Deputados estaduais cobraram investigação imediata e voltaram a defender a abertura de uma nova CPI da Saúde, apontando que o caso reforça denúncias recorrentes sobre irregularidades na gestão do setor.

O deputado Wilker Barreto (PMN) foi um dos primeiros a se pronunciar. Em publicação nas redes sociais, afirmou que as declarações do ex-servidor confirmam o que vem denunciando desde o início do mandato.

“Venho alertando que a saúde do Amazonas está sendo sangrada por esquemas de corrupção, com várias representações que já apresentei ao TCE e ao Ministério Público. Comprovadas as denúncias, fica clara a necessidade de avançarmos com a CPI da Saúde”, declarou o parlamentar.

A assessoria de Wilker explicou a Reportagem que o pedido de CPI não foi protocolado por falta de assinaturas — seriam necessárias oito, mas o número não foi alcançado. O deputado, no entanto, afirmou que as novas revelações devem reacender o debate sobre a necessidade de uma investigação legislativa mais ampla.

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O deputado Delegado Péricles (PL) também comentou o episódio e disse aguardar a apresentação das provas prometidas por Michael, mas ressaltou que o governo precisa se posicionar diante das acusações.

“Não entendi muito bem o que ele quis dizer, mas é preciso que apresente as provas que afirma ter. Tudo o que for irregular deve ser investigado, inclusive os pagamentos indenizatórios que denunciei anteriormente”, afirmou.

Péricles lembrou que presidiu a CPI da Saúde de 2020, que resultou em 50 indiciamentos por irregularidades na área, e destacou que continua fiscalizando os atos do governo.

“Destinei grande parte das minhas emendas para equipar unidades e apoiar mutirões de cirurgias, mas sem transparência e controle, todo o investimento perde credibilidade”, pontuou.

Denúncias e bastidores da saída de Michael Lemos

As reações políticas surgiram após o ex-gerente Michael Lemos divulgar um vídeo, em agosto deste ano, no qual afirma existir um esquema de propina e corrupção sistêmica dentro da SES-AM e da Secretaria de Fazenda (Sefaz-AM).

“Empresários pagam de 30% a 50% para receber seus pagamentos. Dentro da Sefaz existe uma quadrilha que também cobra porcentagens”, declarou Lemos.

No vídeo, o ex-servidor afirma ter provas documentais e cobra investigação da Polícia Federal. Ele acusa diretamente a secretária de Saúde, Nayara Maksoud, e a secretária do Fundo Estadual de Saúde, Nívia Barroso, além de dois procuradores da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Luan e Giordano, que, segundo ele, atuariam para “amarrar os órgãos de controle”.

Lemos também fez duras críticas à atuação das Organizações Sociais (OSs) contratadas pelo Estado, classificando-as como “máquinas de corrupção”.

“Não apoiem as OSs, porque isso é uma máquina de corrupção. Acredito na lisura dos órgãos de controle, que vão fiscalizar e comprovar o que estou dizendo”, disse.

Ele justificou sua saída do cargo alegando que não compactuava com as práticas denunciadas.

“Estou saindo porque não compactuo com a corrupção que comanda a SES-AM. Estão saqueando o povo do Amazonas, que depende do SUS. Se algo acontecer comigo, culpo o ex-secretário Marcellus Campelo e o governo do Estado”, afirmou.

Silêncio do governo e falta de respostas

Diante da gravidade das declarações, o Portal AM1 questionou o Governo do Amazonas sobre as medidas adotadas até o momento. Foram enviados cinco questionamentos oficiais: se foi instaurada investigação interna ou auditoria, quantos contratos com OSs seguem ativos, quais mecanismos de controle são utilizados, se as denúncias foram comunicadas à Controladoria-Geral, TCE ou Ministério Público, e como o governo responde à percepção pública de que a saúde estadual se tornou foco recorrente de corrupção e impunidade.

Até a publicação desta matéria, nem o governo do Amazonas nem a SES-AM haviam se manifestado, mantendo silêncio sobre o caso. O espaço segue aberto para posicionamento.

Um problema que se repete

As denúncias de Michael reacendem um debate antigo sobre a transparência na gestão da saúde pública do Amazonas. Desde a pandemia, a pasta acumula escândalos, investigações e críticas de parlamentares da oposição, que afirmam que os problemas estruturais persistem e se agravam a cada gestão.

Para Wilker Barreto, o caso simboliza o “fracasso do modelo de terceirização e falta de controle sobre as OSs”. Já Péricles reforça que, sem investigação séria, o setor continuará “refém de esquemas e interesses particulares”.

Enquanto isso, as acusações seguem sem resposta oficial, e o governo Wilson Lima enfrenta nova pressão política para esclarecer o destino de recursos e contratos da saúde — uma pauta que, segundo deputados, deve dominar os debates eleitorais de 2026.

Por: Isabel Andrade

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