Manaus

Empresa muda de nome com mesmo CNPJ e continua faturando milhões de Wilson Lima

Manobra, segundo fontes da própria administração pública, serve para driblar a fiscalização, mascarar o histórico de irregularidades e continuar participando de licitações milionárias.
Empresa muda de nome com mesmo CNPJ e continua faturando milhões
Foto: Alex Pazuello/Secom

 Mesmo sob decretos de contenção de gastos e limitações de empenho, uma empresa parece operar em um universo à parte dentro do governo Wilson Lima.

A antiga Pri Apoio Administrativo e Operacional Ltda, hoje rebatizada de Potencial Serviços Terceirizados de Conservação, Manutenção e Limpeza Ltda, vem acumulando contratos milionários e privilégios que expõem o poder e a blindagem de um grupo que domina licitações estratégicas no Executivo estadual.

Com o mesmo CNPJ, a empresa mudou de nome pelo menos duas vezes nos últimos anos, antes, se chamava New Pri Serviços de Conservação e Limpeza Ltda, mas manteve os mesmos sócios: Adinildo Amaral de Lira e Hinaldo Sérgio de Melo Rodrigues.

A manobra, segundo fontes da própria administração pública, serve para driblar a fiscalização, mascarar o histórico de irregularidades e continuar participando de licitações milionárias, mesmo após denúncias e investigações sobre sobrepreço e má execução dos serviços.

A estratégia tem dado resultado. Apenas na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), a empresa — sob suas várias denominações — já recebeu mais de R$ 271,1 milhões entre 2021 e 2025, distribuídos em apenas dois contratos de limpeza de escolas.

Um deles, o Contrato nº 31/2021, chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), após constatação de aumentos injustificados e indícios de lesão ao erário. Mesmo assim, a empresa seguiu ativa em outras frentes do governo.

Mais um detalhe que chama atenção: a Potencial é uma das poucas empresas que consegue receber antes de todos os prestadores de serviço e fornecedores do Estado.

Documentos oficiais mostram que ela costuma emitir notas fiscais e receber os pagamentos antes do dia 5 de cada mês, o que contraria o decreto de limitação de empenhos e o discurso oficial do governador Wilson Lima sobre austeridade fiscal e corte de gastos.

Enquanto fornecedores menores enfrentam filas e atrasos para receber, a Potencial segue em um fluxo privilegiado e ágil de pagamentos — uma verdadeira exceção dentro da burocracia estadual.

A influência da antiga Pri não se restringe à Seduc. A empresa — ou suas “versões” — aparece em contratos com outros órgãos do Executivo estadual, direta ou indiretamente, consolidando um poder transversal que atravessa secretarias e setores.

Fontes ligadas à área de controle interno afirmam que o grupo tem “porta aberta” em diferentes gestões, operando com o mesmo modus operandi: renovações sucessivas, aditivos milionários e pouca transparência sobre a execução dos serviços.

O caso é simbólico de uma máquina pública capturada por interesses empresariais. A “mudança de nome sem mudar de CNPJ” é o truque perfeito para apagar rastros, confundir os sistemas de controle e continuar garantindo espaço nos cofres públicos.

Enquanto isso, as escolas que deveriam se beneficiar dos contratos seguem em estado precário — sujas, abandonadas e sem produtos básicos de higiene.

O grupo Pri/Potencial personifica um tipo de poder silencioso e eficiente dentro do governo Wilson Lima: o de quem nunca perde contrato, nunca enfrenta cortes e nunca deixa de receber.

Por: Redação

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