O Brasil, é oficialmente um país laico desde 1890, contudo, no Amazonas, a complexidade dessa laicidade se revela nas nuances da representação política e nas escolhas dos candidatos, como destacado pelo cientista político, Helso Ribeiro, diante do aumento do número de evangélicos para cargos eletivos, nos vários parlamentos.
O último levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, mostrou que houve um aumento de 21% (em 2000) para 31% (em 2010) de igrejas evangélicas em Manaus.
Calcula-se que esses números sejam maiores, hoje, mais de uma década depois. Além disso, a representação evangélica na esfera política do Amazonas é mais acentuada.
Diante disso, Helso critica a honestidade dessa representação, especialmente quando alguns políticos, conscientes de suas afiliações religiosas, buscam apoio seletivo dentro de suas comunidades de fé.
“Apesar do direito legítimo de buscar votos em suas igrejas, um representante político deve compreender a necessidade de uma representação igualitária para todos os cidadãos, independentemente de suas convicções religiosas”, disse.
Helso afirma que, muitas vezes, a representação dessas bancadas é fundamentada em valores moralistas, o que levanta questionamentos sobre a imparcialidade na tomada de decisões políticas.
“O Estado laico não implica na promoção do ateísmo, mas sim na busca por uma neutralidade do Estado em relação às questões religiosas. O eleitor é livre para fazer suas escolhas, e as manifestações de afiliação moralista são respeitadas como parte do direito democrático”, finalizou.
Por: Otávio Vislley
Portal AM1



