Amazonas

Após naufrágio, especialista defende reforço na fiscalização do transporte fluvial no Amazonas

Doutor em engenharia de transportes afirma que intensificação da fiscalização é obrigação do Estado e não deve gerar custos aos usuários
Após naufrágio, especialista defende reforço na fiscalização do transporte fluvial
Agentes do Corpo de Bombeiros buscam pessoas desaparecidas no naufrágio do Lima de Abreu XV /Foto: Secom

Doutor em engenharia de transportes, Geraldo Alves de Souza avaliou que o acidente com a lancha Lima de Abreu XV, ocorrido na sexta-feira da semana passada, tem que provocar intensificação da fiscalização das embarcações que circulam no Amazonas. A lancha transportava 80 pessoas no momento do sinistro e, até o momento, foram confirmadas três mortes e cinco desaparecidos.

Geraldo Alves afirmou que a fiscalização sobre o transporte fluvial deve ser impactada “de modo a evitar que novas tragédias venham a ocorrer, e isso quem vai ganhar é a população”.

“Fiscalizar é uma obrigação do Estado e ser fiscalizado é uma condição de quem presta um serviço público. E a fiscalização deve ser pautada pelas exigências legais, e essas exigências precisam ser cumpridas para se evitar tragédias como essa. No meu modo de pensar, se haverá alguma repercussão sobre a navegação do interior do Amazonas, nós temos que esperar que seja positiva”, disse.

Ele pontuou ainda que o incremento na fiscalização não deve gerar impacto financeiro sobre os usuários justamente por ser uma obrigação dos órgãos estaduais, já que isso impactaria negativamente “o ir e vir da população que circula entre a capital e o interior ou entre as diferentes localidades do Amazonas e da Amazônia”.

O órgão responsável pela fiscalização do transporte hidroviário do estado é a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados e Contratados do Estado do Amazonas (Arsepam). Além da Capitania dos Portos.

Procurada pela reportagem, a pasta disse que as equipes de fiscalização atuam em toda extensão de pontos de saída de embarcações em Manaus, como o Porto Privatizado, as balsas da Manaus Moderna e o Porto da Ceasa.“As fiscalizações são realizadas antes da saída das embarcações, onde são inspecionados a quantidade de passageiros embarcados, o cumprimento das gratuidades asseguradas a idosos e Pessoas com Deficiência (PcD), a regularidade dos horários de saída e chegada, além da presença e adequação dos itens de segurança exigidos para a operação. A Arsepam reafirma seu compromisso com a fiscalização técnica e com a segurança dos usuários do transporte intermunicipal no Amazonas”, completou.

A reportagem também questionou quantos amazonenses utilizavam o transporte diariamente, bem como se a agência procedeu com a regularização do transporte fluvial prevista na lei 7.402/2025, cobrada ao longo do último ano pelo deputado estadual Adjuto Afonso (União), presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM). No entanto, os questionamentos não foram respondidos.

Regulamentação

Em outubro de 2025, o deputado Adjuto Afonso cobrou a implementação da legislação aprovada em março, que determina à Arsepam a regulação do transporte hidroviário. O parlamentar informou, citando a imprensa amazonense, que o sistema de transporte de passageiros em barcos no Amazonas enfrentava risco de colapso, principalmente pela falta dessa regulação final que que definiria as regras para o transporte de passageiros nas embarcações de acordo com a capacidade de cada uma delas. O alerta foi feito pela Associação dos Navegadores do Amazonas (Anamazon).“Hoje ninguém sabe quem é dono de linha, pra onde o barco deve se dirigir, para qual calha de rio ele vai, dentre outros fatores. Essa regulamentação vai acabar com esses abusos e vai dar segurança aos donos dos barcos que fazem linha e aos passageiros. Faço um apelo à Arsepam endossando a preocupação da Anamazon, que esteve aqui semana passada discutindo essa regulamentação”, disse.

Na ocasião, a Arsepam afirmou ao presidente da Comissão de Transportes que o processo de regularização já estava sendo realizado, mas destacou que não era um processo simples e que demandava diversas tratativas.

Por: Lucas dos Santos

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