Após 97 dias da inauguração do Porto de Chancay, no Peru, o avanço logístico esperado para o Amazonas, principalmente à Zona Franca de Manaus (ZFM) ainda não pode ser avaliado, pois o terminal segue sem operar. A informação é da Suframa.
“Até o momento ocorreram algumas operações extraordinárias, que funcionaram até mesmo como teste do complexo.” afirmou o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, a Reportagem.
O porto foi inaugurado em 14 de novembro de 2024 com um investimento de US$ 3,6 bilhões de empresas chinesas e traz a expectativa de reduzir o tempo de transporte de cargas entre China e Manaus de 46 para 20 dias.
Na época, políticos, entidades e empresários comemoraram a inauguração com grande expectativa de ganho logístico para o Estado que sofre há décadas com a falta de infraestrutura por terra, secas dos rios como as vazantes recordes de 2023 e 2024 e o alto custo do transporte aéreo.
Apesar das altas expectativas em relação à nova rota e seus impactos na ZFM, a Suframa confirmou que o terminal portuário só deve começar a operar entre março e abril deste ano.
“Inclusive, na semana passada, a Suframa esteve presente em uma agenda no Ministério de Planejamento, quando recebeu a confirmação de que a inauguração oficial será entre março e abril, que será quando as operações incluirão as rotas principais, como aquela que se destina à Amazônia brasileira e abastece o Polo Industrial de Manaus.” destaca Bosco Saraiva.
Entraves no Peru e no Amazonas
Tanto a Suframa quanto a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas (Sedecti) destacam que ainda há grandes desafios para a plena utilização dessa rota pelo Amazonas.
Segundo a Suframa, um dos principais entraves está na infraestrutura de transporte terrestre e fluvial tanto no Brasil quanto no Peru.
Do lado peruano, ainda são necessárias melhorias nos portos de Yurimaguas e Pucallpa, assim como nas hidrovias dos rios Ucayali e Marañón.
No Brasil, um dos principais desafios é a necessidade da instalação do alfandegamento do porto de Tabatinga, que serviria como ponto de entrada para as mercadorias vindas do Peru.
Além disso, para que a rota Chancay-Manaus seja economicamente viável, é fundamental a geração de um fluxo comercial de ida e volta, garantindo que as embarcações retornem carregadas e tornem o percurso atrativo para os operadores logísticos.
Mesmo sem impactos imediatos, a Sedecti destaca que o Porto de Chancay tem potencial para beneficiar toda a América do Sul, desde que haja investimentos em infraestrutura para viabilizar os corredores logísticos.
Com a estruturação adequada, espera-se que a rota reduza custos e tempo de transporte, tornando a ZFM mais competitiva no cenário internacional.
“Somente após a efetivação desses investimentos em infraestrutura é que teremos uma operacionalização plena do porto, com consequentes ganhos em custos e tempo de transporte de cargas.” conclui a Sedcti em nota.
Por: Marcio Siqueira