Mais otimista com o cenário do país, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) revisou sua projeção anual de motocicletas e prevê uma produção de 1,95 milhão de unidades nas fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) até o final de 2025. O número é 11,5% maior que a estimativa apresentada no primeiro semestre, de 1,88 milhão.
O presidente da associação, Marcos Bento, destacou que o mercado de motocicletas se manteve consistente ao longo de 2025, com uma demanda robusta especialmente nas regiões Nordeste e Sul do Brasil devido aos atributos do veículo “em relação à economia, mobilidade urbana, custo de aquisição e uso profissional”.
“Esse aumento de demanda faz com que os fabricantes tenham um contínuo fluxo de investimento em novas tecnologias, aumento de capacidade e modernização das plantas. Tudo isso para que a gente continue fazendo lançamentos de modelos, oferecendo opções cada vez mais tecnológicas, modernas e versáteis para os consumidores”, disse.
Um dos fatores que levaram a essa melhora, segundo Bento, foi a manutenção dos rios do Amazonas em um nível alto, não prejudicando a navegabilidade e a cadeia logística do estado. Nos últimos anos, o Distrito Industrial sofreu cortes em sua produção devido às intensas secas, que atrasavam ou até mesmo impediam a chegada de insumos e a saída de produtos.
“De janeiro a setembro, a gente atingiu o patamar de 1,496 milhão unidades, o que representa uma variação positiva de 13,1% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Nós tivemos um aumento de 172 mil unidades de motocicletas produzidas em relação a 2024”, mostrou.
Um detalhe apresentado no encontro com a imprensa é de que 63,7% das motocicletas produzidas entre janeiro e setembro deste ano são do tipo Flex, ou seja, podem ser abastecidas por etanol e gasolina, enquanto somente 36,3% usam exclusivamente a gasolina como combustível.
Nas vendas no varejo, a Abraciclo divulgou que foram vendidas mais de 1,6 milhão de motocicletas em nove meses neste ano contra mais de 1,4 milhão em 2024, gerando uma variação positiva de 14,4%. A maioria das vendas ocorreu na região Sudeste (33,2%), seguida pelo Nordeste (33%), Norte (13,1%), Sul (11,6%) e Centro-Oeste (9,1%).
“O Amazonas representa 19% de toda a região Norte com 41 mil unidades emplacadas, uma variação positiva de 2%. Em Manaus, foram 26 mil unidades comercializadas. Ou seja, o município representa 1,6% do total da participação do Brasil, 12,5% da região Norte e mais de 64% do volume do Amazonas”, disse o presidente.
Exportação
Embora não seja um número elevado, a expectativa da Abraciclo é exportar 35 mil motocicletas até o final de 2025, número 13% maior que o resultado final do ano passado. Até setembro, as fabricantes haviam vendido quase 29,5 mil unidades para o estrangeiro, com o principal destino sendo a Argentina e a Colômbia. Antes um dos maiores compradores, os Estados Unidos caíram para a terceira posição.
Questionado pela reportagem sobre o impacto do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, Marcos Bento confirmou que isso provocou a queda das exportações para o país norte-americano, mas o crescimento nas vendas para outras nações anulou o prejuízo.
“Nós tivemos uma pequena retração no mercado americano devido às tarifas e que foi compensado pelo aumento que ocorreu em relação à Argentina e Colômbia e o escoamento para outros países como Austrália e Canadá, como alternativa. A gente ainda aguarda, porque o mercado americano é importante para nós, não só pela participação, mas também para demonstrar a capacidade que a Zona Franca tem de exportar para países de primeiro mundo”, disse.
Segundo a Abraciclo, os cinco principais destinos das exportações foram Argentina, Colômbia, EUA, Austrália e Canadá. Os dados mostraram um crescimento de 84,6% nas vendas para a Austrália, que saíram de 1,3 mil para 2,4 mil entre 2024 e 2025. Também aumentaram as vendas para a Colômbia (44,4%) e Argentina (37,5%). Para os EUA, as exportações caíram 37%, enquanto para o Canadá caíram 15,4%.
Participação no PIM
Entre janeiro e setembro de 2025, o polo Duas Rodas foi responsável pela geração de 20,5 mil empregos no Polo Industrial de Manaus, equivalente a 18,4% de participação na indústria local. O resultado se soma aos números divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que apontou aumento de 21,83% no faturamento do setor até o mês de agosto.
As projeções positivas do setor também se refletem nos investimentos anunciados pela Honda no início de outubro. A fabricante anunciou que investirá R$ 1,6 bilhão na produção de motocicletas no PIM até 2029, levando à produção de 1,6 milhão de unidades por ano.
Por: Lucas dos Santos



